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Transcrições sobre EXU na Umbanda.

Meus irmãos, mais uma vez levamos humildemente a vossa visão e discernimento, um tema do qual em capítulos atrás, falamos mas não discorremos sobre o assunto. As narrativas que fazemos são da obra O QUE É UMBANDA, de Cavalcanti Bandeira, autor que é da obra e, profundo conhecedor e pesquisador da Umbanda, assim como dos cultos de Nação, etc. Deixamos no concencional dos irmãos, o abarcar ou não dos conceitos acima emitidos, pois o tema normalmente faz com que haja polemica, embora não é com esse sentido que o vamos expor, e sim com o intuito de que traga para a maioria dos Irmãos, conhecimento e esclarecimentos, pois esse é desde o principio a nossa meta, que a nossa vontade se torne manifesta de luz e discernimento, com a permissão de OXALÁ, e que a Paz e Harmonia se façam presentes em nossos corações. Não há assunto mais discutido e confuso do que Exu, sendo que raramente serão encontradas opiniões iguais, pela variação de entendimento, e correntes de seguidores dentro dos Cultos. Apesar de todo o entrosamento que existe entre os seguidores da Umbanda e do Candomblé, especialmente nas suas ligações perante aos Fundamentos Africanistas, as interpretações firmam-se numa dupla conceituação de Exu. Fato que origina comumente, uma confusão explicativa entre os participantes, devendo, em cada caso, situar o problema em seus devidos lugares. Seja na Umbanda, como modalidade de espiritismo mediúnico*(Veja no final do texto observação do autor) ou seja, nos cultos Afro- Brasileiros com suas divindades da natureza. São compreensões diferentes que não se devem confundir porque divergentes em suas cultuações e entendimentos. Basta ver que nos Candomblés, com sua base de Africanismo, consideram EXU como ORIXÁ desobediente, capaz de perturbar as cerimônias, por isso devendo ser afastado, não só dos trabalhos, como da localização dos "Quartos de Santos" (Jará de Orixá). Daí ter a sua casa trancada a chave e com cadeado, num simbolismo dessa prisão, a qual fica próxima da entrada, por fora do prédio onde se realizam os rituais, e sem estar sob o mesmo teto que os Orixás, razão ainda porque lhe são ofertados os primeiros sacrifícios para evitar quaisquer interferências ou perturbações nos trabalhos a desenvolver. Surge, assim um fundamento por todos aceitos, permitindo ordenar alguns conceitos primários de que, aceitando ofertas e executando trabalhos, são dotados de algum conhecimento pelas suas manifestações, não sendo somente forças da natureza, mas não, necessariamente, almas humanas, num sentido reencarnacionista, sem levar em conta, ainda a explicação do fundamento africano em sua irmandade com outros Orixás. Assim na cultuação africanista a compreensão de Exu é pouco variável. Sendo considerado um mensageiro dos Orixás, sem vontade própria, um "empregado" sempre disposto ao serviço, conseqüentemente agindo conforme o pedido, a intenção ou o "agrado" das ofertas. É uma força a ser mobilizada, sem a qual não se iniciam os trabalhos, pois lhes cabe dar segurança nas tarefas, limpar o ambiente ou abrir os caminhos, o que não se consegue sem sua permissão. É um guardião, uma sentinela pela qual se tem de passar, cumprimentar e agradecer. Nos Templos de Umbanda, embora aja alguma ligação nesse modo de entender, as concepções diferem fundamentalmente, seja pela influencias das correntes espiritualistas, inclusive o cardecismo e o orientalismo, seja por que o fundamento africanista vai-se diluindo no tempo, com o passar dos anos, seja, ainda mais, pela razão dos dirigentes não terem recebido a cultuação dos antepassados, basta ver que, em sua maioria, são recém ingressos na umbanda ou não tiveram formação africanista e muitos são europeus ou de outros continentes, vindo assim de outras correntes religiosas. A influencia das varias origens religiosas e, praticas e rituais de magias diferentes contribuem para dificultar o entendimento, notamos que a maior confusão surge com certas explicações estruturando reinos de Exu e linhas de Quimbanda, de mistura de aspectos africanistas e orientalistas, tomando por base geral conceitos regionalistas de grupos que variam entre si. Não há denominador comum, pois, cada um quer ser dono da verdade, e não abre mãos de seu modo de entender. Torna-se difícil, assim, tentar uma interpretação geral. No âmbito da Umbanda, onde não se faz sentir a influencia Africanista preponderante, há outras concepções bem diversas, surgindo conceituações que exigem esclarecimentos, como a do Exu Pagão e do Exu Batizado, bem assim a confusão com Quiúmbas (Kiúmbas) pelos menos afeitos aos fundamentos tradicionalistas. Penetra-se num campo de vidas anteriores, portanto de noção reencarnacionista, e como tal, de alma humana, esboçando etapas de evolução em função do passado que delineiam as atuações do presente, num entrosamento seletivo com a intenção dos trabalhos, com sensibilidade mais nítida perante os consulentes, indo numa escala desde a Magia Negra, da Quimbanda, aos trabalhos para o bem, portanto, numa afinidade baseada na crença de que tudo age num campo de vibrações mais densas ou menos densas de varias Magias. Ressaltando que são serviços exigindo uma força semi- material para trabalhar nessas áreas poderosas, onde se situam potências maléficas, precisando, para combate-las, de Guardiões que se afinizam a esses meios por suas vibrações. São varias as entidades que trabalham sob a denominação de Exu, e não poucas, como alguns conhecem ou pensam. Cada um, cada lugar tem o seu Guardião, o seu Exu, que deve ser convocado para agir naquele campo de vibrações densas, pois tudo existe e age conforme a afinidade de cada meio e de acordo com a mente dos participantes, seja para o Bem, seja para o Mal. Entrosa-se assim, num complexo reencarnatório, de grau de evolução, de intenção e de prova mostrando uma seqüência de comportamentos. Refere com segurança Lilia Ribeiro: "A representação que os Africanos davam a Exu ( coleção Arthur Ramos) nada tem em comum com as figuras diabólicas que a ignorância idealizou para representar essa entidade. Usando indevidamente o nome de Exu, procuram alguns realizar trabalhos de Magia dirigidas contra Irmãos- culpados ou inocentes que sejam- e utilizando, com requintes de maldade, aves e animais, estes seguramente inocentes. Na realidade, o que está agindo e o espírito atrasado, o sub consciente maldoso, o sadismo do próprio ser humano, pois a mediunidade é um Dom e só pode ser dirigida para o Bem. É justamente contra as influencias maléficas o pensamento doentio desses feiticeiros improvisados, que entra em ação o verdadeiro Exu, atraindo os obsessores, cegos ainda, e procurando traze-los para suas falanges que trabalham visando a própria evolução". Excetuando alguns meios de Umbanda, onde encontramos, por vezes para Exu, o fundamento Africanista nítido, na maioria, há uma junção em torno do conceito Exu alma, daí a denominação de Exu Pagão é tido como o marginal da espiritualidade, aquele sem luz, sem conhecimento da evolução, trabalhando na Magia do Mal e para o Mal, em pleno reino da Quimbanda, sem que, necessariamente, não possa ser despertado para evoluir de condição. Já o Exu Batizado, caracteristicamente definido como Alma Humana, sensibilizada pelo Bem, palmilhando num caminho de evolução, trabalha, como se diz, para o Bem, dentro do reino da Quimbanda, por ser força que ainda se ajusta ao meio, nele podendo intervir, como um policial que penetra nos Reinos da Marginalidade. Há, portanto uma ligação muito acentuada de escalas de evolução e situação espiritual, pois muitos revelam conhecimentos ou demonstram poderes curativos, distanciando-se do enquadramento de "Agentes do Mal", numa progressão dentro do terreiro, feita através da mediunidade de seus "cavalos", no dizer comum, que também evoluem paralelamente. Não se deve, entretanto, confundir Exu com espírito zombeteiro, mistificador ou equivalentes, porque estes pertencem a outra classificação, como espíritos legítimos que o são, daí a denominação especificas de Quiúmbas(Kiúmbas), definindo-se de modo preciso esses espíritos obsessores ou perturbadores, passíveis de evolução quando doutrinados ou esclarecidos da situação em que se encontram, embora pretendam mistificar com outras individualizações, iludindo os presentes, chegando, por vezes, a usar nomes conhecidos como "Guias". São assim, diversas forças em suas manifestações características que não devem confundir, que embora conhecidas e procuradas, mais ainda respeitadas, não são bem compreendidas no que representam. São forças ainda necessárias de serem convocadas porque grande é o campo do Mal para o Mal. Cada campo de atividade exige a vibração que lhe é peculiar, aquela com a qual pode sintonizar, porque os Semelhantes Atraem os Semelhantes. Quando alguns alegam que foram mistificados num Terreiro, ou enganados na consulta feita a certas entidades, esquecem, também que, nem sempre as atrações eram sempre condizentes, estavam em relação com as intenções, assim, quem busca o Mal, se pretende mistificar como consulente, para o malefício ou prejuízo do próximo, corre o risco de receber a correspondência vibratória na mesma escala; foi procurar Magia e não um culto, o interesse imediato e subalterno, e não o aperfeiçoamento que repousa numa religião. Concluindo nossas considerações sobre as diversas interpretações dadas a Exu, queremos esclarecer que são processos de Magia, e como tal, de pensamento e ação num movimento constante, de comportamento em ambientes com rituais apropriados, procurando obter efeitos desejados; bem como queremos situar algumas denominações usuais, em nosso meio, tendo em vista as interpretações das mesmas, que se confundem nas compreensões dos adeptos, pelos vários cultos de origem. EXU, ÉSÚ ( ou Eschú, como alguns escreviam ou ainda ICHÚ) é um termo da língua Ioruba, falada na Nigéria, significando divindade do mal ou buliçosa. É um nome que nos foi trazido pelo escravo africano, entre os elementos do culto de origem quêto(KETU), ou nagô, como chamavam na Bahia, sendo que, nos de origem jêjê (EWE) é chamado de Legba. É-lhe dedicada a 2º feira, como primeiro dia da semana, tendo os seus fetiches em barro, ferro ou madeira, quase sempre com características fálicas, além do seu otá (pedra). Quando se realiza um serviço nesse campo dizem que é um "trabalho de esquerda", sendo que lhe chamam afetuosamente de "compadre", quando em serviço benfeitor, não tendo sempre o caráter demoníaco que alguns lhe atribuem exclusivamente. A exuberância dos cultos nagôs e a tradicionalidade dos seus rituais influíram decisivamente no fortalecimento dessa denominação, de modo que a palavra EXU absorveu os correspondentes nos cultos de Angola e Congo, como sejam, entre outros: ALUVAIÁ, que ainda se ouve em alguns cânticos, tendo desaparecido a expressão Cariapemba. O lado feminino conseguiu manter-se através da corruptela- Pomba Gira- proveniente do termo Bombogira, de origem Congo. Pomba Gira é explicado como sendo um espírito inferior, na maior parte dos casos estacionário, com o mesmo cortejo fálico e de vibrações densas, querendo ser comprada, por ser a mulher mais perseverante no seu conservadorismo, mas, algumas aceitam o caminho evolutivo, dependendo muito do médium que a incorporam. São concepções dualistas de sentido masculino e feminino, como noutras formas religiosas chama-se SÉCUBOS e ÍNCUBOS, inclusive dentro do mesmo sentido. Compreende assim quatro sentidos diferentes para os vários aspectos englobados sob a denominação geral de EXU. 1) Orixá desobediente qual anjo decaído; 2) Alma ligada ainda à natureza; 3) Espírito maléfico estacionário; 4) Espírito em caminho de evolução. *Conforme explicação do autor: A- Espírita- O que tem relação com o espiritismo, adepto do espiritismo; aquele que crê nas manifestações dos "espíritos" ( Allan Kardec, " O Livro dos Médiuns", 21ª ed. Pág. 411). E a prova disso é que ele ( o espiritismo) conta entre os seus aderentes homens de todas as crenças, que por esse fato não renunciaram as suas convicções; católicos fervorosos que não deixam de praticar todos os deveres do seu culto, quando a igreja não os repele; protestantes de todas as seitas, israelitas, e mesmos budistas e bramanistas" ( Allan Kardec, " O que é o Espiritismo". 10ª ed. Pág. 85). " Pode-se, portanto, ser católico, ortodoxo ou romano, protestante, judeu e crer nas manifestações dos espíritos e ser, conseqüentemente, espírita. A prova é que o espiritismo tem aderentes em todas as seitas". ( Allan Kardec, " Le Speritisme à as pólos simple expression" 150e. Mille, pág. 15). Kardek igualmente escreveu " ( O Livro dos Médiuns, 21ª ed. Cap. XXXll, pág. 411) que todo espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita. Que a Paz e a Luz, iluminem nossos caminhos.

Saravá Fraterno.

André.