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"O Poder da Dor e do Sofrimento na Evolução Espiritual dos Homens."

Pode parecer à primeira vista que fugimos ao assunto do qual, em páginas anteriores vínhamos tratando que era a nossa querida UMBANDA.

Porém, estas linhas que estão sendo traçadas neste momento, são com toda certeza um prolongamento do tema, pois a razão do SOFRIMENTO e da DOR é algo intrínseco do amadurecimento e da evolução do ser humano e obviamente faz parte do Movimento Umbandista, do médium umbandista, assim como de todas as religiões, pois a filosofia da vida, não pertence a um, mas sim a todos, é Universalista.

Queremos que estas páginas levem a LUZ e o DISCERNIMENTO à todos os irmãos que procuram através de suas dores, respostas para todos os questionamentos introspecto em suas almas sofridas e, com a permissão dos Iluminados Espíritos e Guias, poder com estes textos suavizar todos os corações angustiados, fazendo com que a leitura dos mesmos possam também elevar-lhes Moralmente e Espiritualmente.

Em nosso mundo, tudo é vida, seja no mundo hominal como na natureza e em outros reinos. O Amor é a Lei Universal e foi por esse Amor que Deus formou os seres.

Podem parecer contraditórios e horríveis estes problemas que afligem muitos irmãos, mas, que sofrimento é esse que acaba levando muitos irmãos à dúvida e ao pessimismo? Qual a finalidade real do sofrimento?

O animal está sujeito a luta pela vida entre os bosques, as pradarias e o seio das águas.Por toda parte desenrola-se dramas ignorados.

Em nossas cidades prosseguem sem cessar a hecatombe de pobres animais inofensivos, sacrificados às nossas necessidades ou entregues nos laboratórios ao suplício da vivisseção.

Quanto à humanidade, sua história não é mais que um longo martirológio. Através dos tempos, por cima dos séculos, rola a triste melopéia dos sofrimentos humanos.

O lamento dos desgraçados sobe com uma intensidade dilacerante que tem a regularidade de uma vaga.

A dor segue todos os nossos passos, espreita-nos em todas as voltas do caminho. E, diante desta esfinge que fita com seu olhar estranho, o homem faz a eterna pergunta: Por que existe a dor? É, no que lhe concerne, uma punição, uma expiação como dizem alguns?
É a reparação do passado, o resgate das faltas cometidas?

Fundamentalmente considerada, a dor é uma Lei de equilíbrio e educação. Sem dúvida, as falhas do passado recaem sobre nós com todo o seu peso e determinam as condições do nosso destino. O sofrimento não é, muitas vezes, mais do que as repercussões das violações da ordem eterna cometidas. Sendo partilha de todos, deve ser considerado como necessidade de ordem geral, como agente de desenvolvimento e condição do progresso.
Todos os seres têm, por sua vez, passar por ele. Sua ação é benfazeja para quem sabe compreendê-la.Somente podem compreendê-la aqueles que lhe sentiram os poderosos efeitos.
É principalmente à esses, a todos aqueles que sofrem, os que têm sofrido e àqueles que são dignos de sofrer que dirijimos estas páginas.

A dor e o prazer são as duas formas extremas da sensação. Para suprimir uma ou outra seria preciso suprimir a sensibilidade. São pois, inseparáveis em princípio e ambos necessários à educação do ser, que em sua evolução, deve experimentar todas as formas ilimitadas, tanto do prazer como da dor.

A dor física produz sensações. O sofrimento moral produz sentimentos. Mas, como já vimos no sentido íntimo, sensação e sentimento confundem-se e são uma só e mesma coisa.

O prazer e a dor estão muito mais nas coisas externas do que em nós mesmos.Incumbe a cada um de nós regular nossas sensações, disciplinar o nossos sentimentos, dominar uma e outra e limitar-lhes os efeitos.

Epicteto dizia:" As coisas são apenas o que imaginamos que são." Assim pela vontade podemos domar, vencer a dor, ou pelo menos, fazê-la redundar em nosso proveito, fazendo dela meio de elevação.

A idéia que fazemos da felicidade e da desgraça, da alegria e da dor, varia ao infinito segundo a evolução individual. A alma pura, boa e sábia não pode ser feliz à maneira da alma vulgar. O que encanta uma, deixa a outra indiferente e, à medida que se sobe, o aspecto das coisas mudam.
Como a criança que crescendo, deixa de lado os brinquedos que a cativaram, a alma que se eleva procura satisfações cada vez mais nobres, graves e profundas. O espírito que julga com superioridade e considera a vida como um fim grandioso, achará mais felicidade, mais serena paz num belo pensamento, numa boa obra, num ato de virtude e até na desgraça que o purifica, do que em todos os bens materiais, do brilho das glórias terrestres, porque estas o perturbam, corrompem, embriagam ficticiamente.

É muito difícil fazer entender aos homens que o sofrimento é bom. Cada qual quereria refazer e embelezar a vida à sua vontade, adorná-la com todos os deleites, sem pensar que não há bem sem dor, ascensão sem suores e esforços.

A tendência geral consiste em fecharmo-nos no estreito círculo do individualismo, do cada um por si; por esta forma, o homem abate-se, reduz a estreitos limites tudo quanto nele é grande, quanto está destinado a desenvolver-se, a estender-se, a dilatar-se, a desferir vôo; o pensamento, a consciência, numa palavra, toda a sua alma. Ora, os gozos, os prazeres e a ociosidade estéril não fazem mais do que apertar esses limites, acanhar nossa vida e nosso coração. Para quebrar esse círculo, para que toda as virtudes ocultas se expandam à luz, é necessária a dor. A desgraça e as provações fazem jorrar em nós as fontes de uma vida desconhecida e mais bela. A tristeza e o sofrimento fazem-nos ver, ouvir, sentir mil coisas, delicadas ou fortes, que o homem feliz ou o homem vulgar não podem perceber. Obscurece-se o mundo material; desenha-se outro, vagamente a princípio, mas que cada vez se tornará mais distinto à medida que as nossas vistas se desprenderem das coisas inferiores e mergulharem no ilimitado.

É principalmente perante o sofrimento que se mostra a necessidade, a eficácia de uma crença robusta, poderosamente assente e ao mesmo tempo na razão, no sentimento e nos fatos que expliquem o enigma da vida o problema da dor.

É necessário sofrer para adquirir e conquistar. Os atos de sacrifício aumentam as radiações psíquicas. Há como que uma esteira luminosa que segue no espaço, os espíritos dos heróis e dos mártires.

Aqueles que não sofreram, mal podem compreender estas coisas, porque neles, só a superfície do ser está arroteada, valorizada. Há falta de largueza em seus corações, de efusão em seus sentimentos. Seu pensamento abrange horizontes acanhados. São necessários os infortúnios e as angústias para dar a alma seu aveludado, sua beleza moral, para despertar seus sentidos adormecidos.
A vida dolorosa é um alambique aonde se destilam os seres para mundo melhores. A forma, como o coração, tudo se embeleza por ter sofrido. Já nesta vida, um não sei o que de grave e enternecido nos rostos que as lágrimas sulcaram muitas vezes. Tomam uma expressão de beleza austera, uma espécie de majestade que impressiona e seduz.

Michelangelo adotara como norma de proceder os preceitos seguintes: "Concentra-te e fazei como o escultor faz a obra que quer aformosear. Tira o supérfluo, aclara o obscuro, difunde a luz por tudo e não largues o cinzel."

Máxima sublime, que contém o princípio de todo o aperfeiçoamento íntimo. Nossa alma é nossa obra, com efeito, obra capital e fecunda que sobrepuja em grandeza todas as manifestações parciais da Arte, da Ciência, do Gênio.

A dor física é, em geral, um aviso da Natureza que procura preservar-nos dos excessos. Sem ela, abusaría-mos de nossos órgãos até o ponto de os destruirmos antes do tempo. Quando um mal perigoso se vai insinuando em nós, que aconteceria se não sentíssemos logo os efeitos desagradáveis? Iria cada vez lavrando mais, invadir-nos-ia e secaria em nós as fontes da vida.

Ainda quando persistindo em desconhecer os avisos repetidos da Natureza, deixamos a doença desenvolver-se em nós, pode ela ser um benefício, se causada por nossos abusos e vícios, nos ensinar a detestá-los e à corrigir-nos deles. É necessário sofrer para nos conhecermos e conhecermos bem a vida.

Epicteto, que gostamos de citar, dizia também:" É falso dizer-se que a saúde é um bem e a doença um mal. Usar bem a saúde é um bem; usar mal é um mal. De tudo se tira o bem, até da própria morte."

Às almas fracas, a doença ensina a paciência, a sabedoria e o governo de si mesmas. Às almas fortes pode oferecer compensações de um ideal, deixando ao espírito o livre vôo de suas aspirações até ao ponto de esquecer os sofrimentos físicos. A ação da dor não é menos eficaz para as coletividades do que o é para os indivíduos. Não foi graças a elas que se constituíram os primeiros agrupamentos humanos? Não foi a ameaça das feras, da fome, dos flagelos que obrigou o indivíduo a procurar seu semelhante para se lhe associar? Foi da vida comum, que saiu toda civilização com suas artes, ciências e indústrias.

A dor física, pode-se também dizer, resulta da desproporção entre nossa fraqueza corporal e a totalidade das forças que nos cercam, forças colossais e fecundas que são outras tantas manifestações da vida universal.

Apenas podemos assimilar ínfima parte delas, mas, atuando sobre nós, elas trabalham por aumentar, por alargar incessantemente a esfera de nossa atividade e a gama de nossas sensações. Sua ação sobre o corpo orgânico repercute na forma fluídica; contribui para enriquecê-la, dilatá-la, torná-la mais impressionável numa palavra, apta para novos aperfeiçoamentos.

O sofrimento, por sua ação química, tem sempre um resultado útil, mas esse resultado varia infinitamente segundo os indivíduos e seu estado de adiantamento.

Apurando o nosso invólucro material, dá mais força ao ser interior, mais facilidades para se desapegar das coisas terrenas. Em outros, mais adiantados no seu grau de evolução, atuará no sentido moral. A dor é como uma asa dada à alma escravizada pela carne para ajudá-la a desprender-se e a elevar-se mais alto.

O primeiro movimento do homem infeliz é revoltar-se sob os golpes da sorte. Mais tarde, porém, depois do espírito ter subido aos aclives, quando contempla o escabroso caminho percorrido, o desfiladeiro movediço de suas existências é com um enternecimento alegre que se lembra das provas, das tribulações com cujo auxílio pôde alcançar o cimo.

Se nas horas da provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós, em nosso "eu", em nossa consciência, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento.

Veríamos que ela fere sempre a corda sensível. A mão que dirige o cinzel é a de um artista incomparável, não se cansa de trabalhar, enquanto não tem arredondado, polido, desbastado as arestas de nosso caráter.
Para isso, voltará tantas vezes a carga quanto seja necessárias. E, sob a ação das marteladas repetidas, forçosamente a arrogância e a personalidade excessiva hão de cair neste indivíduo; a moleza, a apatia e a indiferença desaparecerão em um outro; a dureza, a cólera e o furor, num terceiro.

Para todos terá processos diferentes, infinitamente variados segundo os indivíduos, mas em todos agirá com eficácia, de modo a provocar ou desenvolver a sensibilidade, a delicadeza, a bondade, a ternura, a fazer sair das dilacerações e das lágrimas alguma qualidade desconhecida que dormia silenciosa no fundo do ser, ou então, uma nobreza nova, adorno da alma, para sempre adquirida.

Quanto mais esta sobe, cresce, se faz bela, tanto mais a dor se espiritualiza e torna sutil. Os maus precisam de numerosas operações como as árvores de muitas flores para produzirem alguns frutos. Porém, quanto mais o ser humano se aperfeiçoa, tanto mais se tornam nele os frutos da dor. Às almas gastas, mal desbastadas, tocam os sofrimentos físicos, as dores violentas; as egoístas, as avarentas hão de caber as perdas de fortuna, as negras inquietações, os tormentos do espírito. Depois, aos seres delicados, as mães, as filhas, as esposas, as torturas ocultas, as feridas do coração. Aos nobres pensadores, aos inspiradores, a dor sutil e profunda que faz brotar o grito sublime, o relâmpago do gênio!

Assim por trás da dor, hé alguém invisível que lhe dirige a ação e a regula segundo as necessidades de cada um, com uma arte, uma sabedoria infinita, trabalhando por aumentar nossa beleza interior nunca acabada, sempre continuada de luz, de virtude em virtude, até que nos tenhamos convertido em espíritos celestes.

Por mais admirável que possa parecer a primeira vista, a dor é um meio de que usa o Poder Infinito para nos chamar a si e, ao mesmo tempo, tornar-nos mais rapidamente acessíveis à felicidade espiritual, única duradoura. É realmente pelo amor que nos tem que DEUS envia o sofrimento. Fere-nos, corrige-nos como a mãe corrige o filho para educá-lo e melhorá-lo; trabalha incessantemente para tornar dóceis, para purificar e embelezar nossas almas, porque elas não podem ser verdadeiras, completamente felizes senão na medida correspondente a suas perfeições.

Para isso DEUS pôs nesta terra de aprendizagem, ao lado das alegrias raras e fugitivas, dores freqüentes e prolongadas para nos fazer sentir que o nosso mundo é um lugar de passagem e não o ponto de chegada.

Gozos e sofrimentos, prazeres e dores, tudo isto DEUS distribuiu na existência como um grande artista que na tela, combina a Sombra e a Luz para produzir uma obra prima.

A vós todos que vos queixais amargamente das decepções, das pequeninas misérias, das tribulações de que está semeada toda a existência e que vos sentis invadidos pelo cansaço e pelo desânimo: se quereis novamente achar a resolução e a coragem perdidas, se quereis aprender a afrontar alegremente a adversidade, a suportar resignados a sorte que vos toca, lançai um olhar atento em roda de vós!

Considerai as dores tantas vezes ignoradas dos pequeninos, dos deserdados, os sofrimentos de milhares de seres que são homens como vós; considerai estas aflições sem conta; cegos privados do raio que guia e conforta, paralíticos impotentes, corpos que a existência torceu, ancilosou, quebrou, que padecem de males hereditários! E os que carecem do necessário, sobre quem sopra, glacial, o inverno! Pensai em todas essas vidas tristes, obscuras, miseráveis; comparai vossos males muitas vezes imaginários com as torturas de vossos irmãos de dor, e julgar-vos-eis menos infelizes, ganhareis paciência e coragem e, de vosso coração descerá sobre todos os peregrinos da vida que se arrastam acabrunhados no caminho árido, o sentimento de uma piedade sem limites e de um amor imenso.

Assim caros irmãos, deixamos acima o pensamento filosófico de um dos maiores pensadores e escritores espiritualistas que foi sem dúvida LÉON DENIS e, esperamos como dissemos no princípio destas linhas, que sirvam de balsamo suavizante para todos os nossos irmãos que estiverem sofrendo, atormentados, tristes e, mesmo aos que estiverem alegres e contentes, que lêem e meditem da bondade de DEUS para com seus filhos sem exceção.

Que OXALÁ nos ilumine e permita que cada vez mais possamos levar conhecimentos e esclarecimentos aos nossos irmãos.

Sarava Fraterno de

André :.